sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Papa aos Movimentos Populares: ignorar os pobres é uma fraude moral

O Papa Francisco enviou uma mensagem, nesta sexta-feira (17/02), aos participantes do encontro dos Movimentos Populares em andamento na cidade de Modesto, na Califórnia (EUA). A reunião teve início, nesta quinta-feira (16/02), e prossegue até sábado, 18. 
“As feridas sociais causadas por um sistema econômico desumano e difundido podem ser tratadas e curadas com o comportamento do bom samaritano, fazendo-se próximo de quem precisa”, afirma o Papa no texto. 
Segundo o Pontífice, “os bons samaritanos, aqueles que têm a capacidade autêntica de estar próximo de quem sofre, salvarão o mundo, e não a hipocrisia daqueles quem enchem os bolsos ignorando, com estilo, as chagas sociais, para depois manipular as consciências quando as feridas são evidentes e não se pode mais fingir de não vê-las”.

Indiferença

Como acontece muitas vezes quando os interlocutores do Papa são as “elites” das periferias, neste caso os movimentos sociais, Francisco encontra expressões fortes para desmascarar as falhas do que ele chama de “paradigma imperante”, um “sistema econômico que causa sofrimentos enormes para a família humana”, porque é baseado no lucro e não na solidariedade.
O Papa conta aos participantes do encontro, em Modesto, a Parábola do Bom Samaritano. O contraste entre o “estrangeiro, pagão e impuro” que se inclina sobre um moribundo agredido por assaltantes e cuida dele, e a indiferença do sacerdote e do levita, expoentes ligados ao Templo, que viram as costas ao homem ferido e à lei de Deus que pedia para prestar socorro em casos como esse. 

Fraude moral

“As feridas causadas pelo sistema econômico que coloca no centro o deus dinheiro e às vezes age com a mesma brutalidade dos assaltantes da parábola foram transcuradas culposamente”, afirma o Papa, denunciando o “estilo elegante usado para desviar o olhar de forma recorrente. Sob a aparência de ser correto na Política ou das modas ideológicas, se olha para quem sofre sem tocá-lo, distante, vendo-o na televisão, e se adota um discurso de aparência tolerante e cheio de eufemismos, mas nada se faz de sistemático para curar as feridas sociais e enfrentar as estruturas que deixam muitos irmãos ao longo da estrada”.
“Trata-se de uma fraude moral que antes ou depois se descobre e dissipa-se como uma miragem. Os feridos existem, são uma realidade. O desemprego é real assim como a violência, a corrupção, a crise de identidade, o esvaziamento das democracias, a crise ecológica”, diante da qual o Papa Francisco exorta povos indígenas, pastores e governantes a “defenderem a criação”, confiando na ciência, mas sem crer na existência de uma “ciência neutra”.

Gangrena

Segundo o Papa, “a gangrena de um sistema não pode ser camuflada eternamente porque antes ou depois se sente o mal cheiro e quando não pode ser mais negada pelo próprio poder que criou este estado de coisas, nasce a manipulação do medo, a insegurança, a raiva, incluindo a indignação das pessoas, e se transfere a responsabilidade de todos os males a um que não está próximo”.

Esta é uma tentação grande que alimenta “este processo social em andamento em muitas partes do mundo” e que para o Papa Francisco “é uma ameaça séria para a humanidade”: a tentação de “classificar as pessoas em próximas ou não” e “aquelas que podem se tornar vizinhas de casa ou não”.

Sofrer com o outro

Jesus ensina outra maneira. Ensina a “tornar próximo daqueles que precisam”, atitude possível se no próprio coração existir “compaixão e capacidade de sofrer com o outro”. A Igreja acrescenta: deve ser “como o dono da pensão ao qual o samaritano confia, no final da parábola, a pessoa que sofre. Os cristãos e  todos os homens de boa vontade devem viver e agir agora, porque muito tempo precioso foi perdido sem resolver essas realidades destruidoras”.

“Da participação ativa das pessoas, em grande parte realizada pelos movimentos populares, depende a maneira em que se pode resolver essa crise profunda.” 
O Papa repete o que disse no último encontro com os Movimentos Populares: “nenhum povo é criminoso e nenhuma religião é terrorista. Não existe o terrorismo cristão, nem o judeu ou muçulmano”. Enfrentando o terror com amor trabalhamos pela paz e nisso “se encontra a humanidade verdadeira que resiste à desumanização manifestada em forma de indiferença, hipocrisia e intolerância”.

Fonte: Rádio Vaticano

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Papa condena tráfico humano: crime vergonhoso e intolerável



“Encorajo as pessoas que, de algum modo, ajudam os menores escravizados e abusados a se libertarem desta opressão. Auspicio aos que têm responsabilidade de governo que combatam com decisão esta chaga, dando voz aos nossos irmãos mais pequeninos, humilhados em sua dignidade. É preciso fazer todo esforço para debelar este crime vergonhoso e intolerável.”
Essa é a exortação do Papa no dia em que a Igreja reza e reflete sobre o tráfico de seres humanos, por ocasião da memória de Santa Josefina Bakhita, vítima do tráfico ainda quando criança.
“Esta jovem escravizada na África, explorada e humilhada não perdeu a esperança e levou adiante a fé e acabou por chegar como migrante na Europa. E ali sentiu o chamado do Senhor e se fez freira. Rezemos Santa Josefina por todos os migrantes, refugiados, explorados que sofrem tanto, tanto”, disse Francisco.
Mianmar
O Pontífice pediu uma oração especial pelos rohingya, grupo étnico expulso de Mianmar. “Vão de um lugar a outro porque ninguém os quer. Não são cristãos, mas são nossos irmãos e há anos sofrem, torturados, assassinados, simplesmente por levarem avante sua tradição e a fé muçulmana. Rezemos por eles”, pediu Francisco recitando um Pai-Nosso com os fiéis.
O tráfico no Brasil
Na Audiência Geral, estava presente um grupo da Talitha Kum, a rede mundial de religiosas que combate este fenômeno. A coordenadora desta rede é a Ir. Gabriella Bottani, que adquiriu sua experiência neste campo sendo missionária no Brasil.
No país, o tráfico assume inúmeras conotações, sendo as mais conhecidas para exploração laboral e sexual. Mas não se engane: o tráfico pode estar por trás da servidão doméstica, ainda muito comum em alguns Estados brasileiros. Ouça acima um testemunho extraído do Livro “Tráfico de Mulheres na Amazônia”.
Fonte: Rádio Vaticano

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

PJ da Arquidiocese de Feira elege nova coordenação em Assembleia


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Aconteceu no último fim de semana (03-05/02) a Assembleia da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Feira de Santana/BA, que teve como tema: “Ser tão PJ: romper barreiras, renovar a esperança e celebrar a vida”; e como iluminação bíblica: “Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão. (Mt 28,10b)”. As atividades se derão na Chácara Santo Inácio, bairro Queimadinha. Nesta edição, além de avaliar os últimos dois anos de evangelização, e planejar os próximos anos, através do Plano Pastoral, a PJ da Arquidiocese de Feira de Santana também elegeu sua coordenação e assessoria arquidiocesanas e seus articuladores das 5 foranias.
As atividades se iniciaram na sexta, com a Mística Inicial, conduzida pelo facilitador da Assembleia, Bruno Conceição, que é pjoteiro natural de Salvador,e ex secretário regional da PJ.
No sábado pela manhã, os trabalhos continuaram com a reza do Ofício Divino da Juventude, onde houve a recordação de fatos e pessoas que marcaram a história da PJ desta Arquidiocese. Em seguida foi feita uma breve memória da caminhada da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Feira de Santana, com os pjoteiros Cristiam Machado e Erik Nascimento. História essa que se iniciou em 1992, por iniciativa do padre Miguel, espanhol e apaixonado pela causa das juventudes. Portanto são 25 anos de caminhada que celebramos em 2017.
Em seguida, se dividiu a plenária em grupos, para responder “o que temos” e “o que queremos” nos meios eclesial, social e politico. Já no sábado pela tarde, Lizandra e Ramon fizeram uma partilha sobre a caminhada da coordenação arquidiocesana nesses últimos dois anos. Logo após, os pjoteiros foram novamente divididos em grupos, para trabalhar os locais bíblicos e ver luzes em alguns documentos da Igreja, que pudessem ajudar na construção do plano pastoral. O final da tarde foi momento de celebrar, com a Santa Missa, presidida pelo Padre Avelino. Em sua homilia, o padre destacou a importância dos jovens pjoteiros serem “sal da terra” e “luz do mundo”, fazendo a diferença dentro desta realidade de cultura de morte e descarte. Para fechar o sábado, os pjoteiros se reuniram num luau e entregaram os certificados aos jovens que concluíram a formação da Escola da Juventude Dom Hélder Câmara.
No domingo pela manhã, logo após a mística os trabbalhos focaram na construção do plano pastoral, que foi aprovado e agora será tocado pela equipe ampliada da PJ. Por fim foi o momento de escolher os nomes que estarão nos serviços, em favor dos grupos de jovens presentes nas comunidades desta Arquidiocese. Para a  Coordenação Arquidiocesana (colegiada)  foram escolhidos: Larissa Aragão, Camila Dias e Erik Nascimento. Para a assessoria arquidiocesana ficaram Irmã Márcia e Cíntia. Nas articulações das 5 foranias, em ordem crescente, foram confirmados : Lúcio Gomes, Paulo Vitor, Jorlan Neri, Franciel Santana e Cristiam Machado. E por fim, na assessoria da Escola da Juventude: Ir. Lilian e Tarcísio. E na assessoria financeira a Irmã Eulediane. A Mística de Envio foi momento de agradecer a vida doada dos que estiveram na coordenação no último período e que nessa assembleia deixaram o espaço (Lizandra e Ramon). Também momento de agradecer aos que vão exercer essa articulação pjoteira, nos variados serviços, rezando para que tudo seja muito frutífero. A PJ da Arquidiocese de Feira de Santana também agradece à disponibilidade de Bruno, e a todos delegados e delegadas que construíram essa Assembleia Arquidiocesana.
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Com informações de Erik Nascimento