domingo, 19 de novembro de 2017

Coisa de negro: suor de cada dia, peso do trabalho, mãos tomadas de calos


Coisa de negro: suor de cada dia, peso do trabalho, mãos tomadas de calos


No contexto do dia dedicado à Consciência Negra e de fatos preconceituosos expostos nas redes sociais, o arcebispo de Feira de Santana (BA) e referencial da Pastoral Afro-Brasileira, dom Zanoni Demettino Castro, convidou em artigo à reflexão sobre a vida, a fé, a cultura e a tradição do povo brasileiro afrodescendente.
Dom Zanoni parafraseou a canção “Canto Gemido”, do padre Valmir Neves, de Itapetinga (BA), para ressaltar o que é, realmente, “coisa de negro”:
“O suor de cada dia, o peso de nosso trabalho, as mãos tomadas de calos, coisa de negro. O que faço não é certo. Meu grito nunca fez eco. Senhor sou negro. E não nego. Venho ofertar minha dor. Senhor meu canto gemido. Dele nunca vou esquecer. Entre salmos e benditos. Venho vos oferecer”

Recordando o Documento de Aparecida, o arcebispo salienta a constatação da V Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em Aparecida, no ano de 2007, de que a história dos afrodescendentes “tem sido atravessada por uma exclusão social, econômica, política e, sobretudo, racial, onde a identidade étnica é fator de subordinação social”. Para ele, embora o contexto atual não admita etnocentrismos, xenofobismos e preconceitos, os afrodescendentes “são discriminados na inserção do trabalho, na qualidade e conteúdo da formação escolar, nas relações cotidianas”. Para dom Zanoni, as consequências dos 300 anos de escravidão ainda não foram suficientemente reparadas.
Ainda citando o documento de Aparecida, dom Zanoni revela que há “um processo de ocultamento sistemático dos valores, da história e da cultura dos afrodescendentes”. Neste sentido, a Pastoral Afro-Brasileira tem colocado em pauta essas realidades. No dia 4 deste mês, aconteceu a 21ª Romaria das Comunidades Negras ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Na ocasião, os agentes refletiram sobre o extermínio de jovens negros, a presença do negro, da negra e da Pastoral Afro-brasileira na Igreja, além da garantia do comprometimento na continuidade do trabalho.
Os eventos e espaços também são aproveitados para mostrar a identidade negra e celebrar nas respectivas culturas, assim como fortalecer a caminhada conjunta com outras organizações contra a desigualdade, a discriminação e o racismo, a intolerância religiosa, a exclusão dos direitos dos negros e negras nas periferias.
A reflexão proposta por dom Zanoni, a partir da canção e do documento de Aparecida, deve favorecer o aprofundamento com vistas ao o IX Congresso Nacional das entidades negras católicas (Conenc), que acontecerá de 18 a 21 de janeiro de 2018, em Maringá (PR), e o XIV Encontro de Pastoral Afro-americana (EPA), em Cali, na Colômbia.
O encontro continental será celebrado de 15 a 19 de julho de 2018 com o tema “Espiritualidade cristã afro-americana e os desafios do século XXI” e o lema “Nossa espiritualidade, força transformadora da realidade”. O objetivo é chegar a uma síntese de quase quatro décadas de caminhada em um mundo cada vez mais desafiante. A reflexão, de acordo com os organizadores, será feita a partir da própria essência da identidade cultural e na fé em Jesus Cristo, “caminho, verdade e vida” (Jo 14,6).
Visibilidade na Igreja no Brasil
O membro da Pastoral Afro-brasileira e da secretaria de Pastoral Afro-americana, padre Jurandyr Azevedo Araújo, ressalta que, na Igreja no Brasil, a Pastoral Afro é aceita em suas estruturas de serviço e recebe um novo alento através do texto de estudo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) número 85. “Esse espaço conquistado pelos Afro-brasileiros enriquece o catolicismo com sua forma de expressar a sua fé nas manifestações da religiosidade popular e nas celebrações inculturadas. Assim, o povo negro ressuscita sua memória histórica, sua autoestima, sua cultura, enfim, sua identidade”, afirma.

Padre Jurandyr ainda sinaliza que os principais documentos da Igreja no Brasil registram o clamor do povo negro e que os negros e negras estão mais envolvidos nas diversas dimensões da vida e missão da Igreja, procurando conhecer e estimar o dom de Deus presente na negritude. Exemplos deste envolvimento é o secretariado de Pastoral Afro-brasileira; o Grupo Atabaque; a caminhada dos Conencs; as Romarias das Comunidades Negras; o Instituto Mariama, que conta com bispos, padres, diáconos, religiosos e leigos, estudantes, exercitando a inteligência e o coração, para proclamar as maravilhas de Deus; o Grupo de Educadoras Negras; o Encontro de Pastoral Afro-americano e os diversos subsídios produzidos pela Pastoral Afro-brasileira. “Hoje é possível contemplar muitas iniciativas beneméritas de conhecimento, estudo, estima e defesa dos valores do povo negro”, enaltece.
Instituído pela lei 12.519, de 10 de novembro de 2011, o Dia da Consciência Negra é data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares. Mesmo com a fixação no calendário oficial, desde a década de 1970 são realizadas celebrações e mobilizações no sentido de reflexão sobre o preconceito, homenagens aos afro-brasileiros, reconhecimento do fenômeno da eclosão do movimento de “consciência negra” no País, além de oferta de oportunidade de reflexão sobre suas origens, história e heróis.
Fonte: CNBB / Arquidiocese de Feira de Santana

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

CNPJ e CRPJ do Regional Noroeste se reúnem em Rio Branco/AC

O início de novembro ganhou gosto especial para alguns jovens que aterrissaram em solo acreano. Vindos de todas as regiões do Brasil, a Coordenação Nacional (CN), Coordenação Regional (CR), Comissão Regional (CRA) e Nacional de Assessores (CNA), e o bispo referencial da juventude no Regional Noroeste, dom Benedito (Guajará-Mirim – Rondônia), se reuniram em Rio Branco, Acre, na chácara da Conferência das Religiosas do Brasil, entre os dias 2 e 5.
Não faltaram partilhas, sonhos e construções coletivas nesse período. Em reuniões paralelas cada coordenação rezou, refletiu e achou caminhos para pautas internas. A CR, representada por cinco das sete [arqui]dioceses do Regional Noroeste iniciou a preparação para a Assembleia Regional da Pastoral da Juventude (ARPJ) que será realizada de 1º a 3 de junho de 2018, além de se apropriarem ainda mais da construção do Encontro Nacional da Pastoral da Juventude (ENPJ).
O encontro dos coordenadores regionais também serviu para partilhar a realidade da caminhada em suas [arqui]dioceses e viabilizar novas formas de trabalho entre a CR. Valéria Santana, assessora regional da PJ, destaca a importância do contato pessoal nesse processo. “No momento em que a gente além de se ouvir, além de ler, a gente também se toca e se vê, o sentido passa a ser ainda mais amplo e mais bonito. Conseguimos perceber o Encontro sendo construído e encaminhado”.“A reunião CR e CN foi imprescindível para fazer a gente se aproximar e se apropriar ainda mais do Encontro Nacional, que vai receber tantos jovens com tantas experiências de Pastoral da Juventude”, pontuou o coordenador da PJ na Diocese de Ji-Paraná/Rondônia, Maycon Lucas da Silva.
Coordenação e assessoria nacional com o bispo diocesano dom Joaquín (Foto: Arquivo Pessoal).
Coordenação e assessoria nacional com o bispo diocesano dom Joaquín (Foto: Arquivo Pessoal).
Para Valéria, a capital do Acre se tornará uma grande casa de acolhida na mística que receberá os e as jovens vindos/as de todos os regionais. “Isso que é bonito. Fazer de Rio Branco e fazer do Regional o melhor lugar para se acolher, uma tenda em que a juventude de todo o Brasil vai poder rezar junta”, finaliza.
Já no encontro da CN e CNA o debate também girou em torno da caminhada a partir dos eixos da Ampliada Nacional no Crato/Ceará, de janeiro deste ano. Em um segundo momento, no encontro entre as coordenações e assessorias, todos puderam ampliar o olhar sobre a preparação do ENPJ. A visita do bispo diocesano dom Joaquín Pertiñez também serviu para avaliar o processo que está sendo construído e encorajar os organizadores.
O secretário nacional da PJ, Davi Rodrigues, considera que toda a reunião em Rio Branco foi essencial para entender que o Encontro Nacional já está acontecendo. “Faltam poucos meses para o Encontro Nacional, encontro esse que já está acontecendo na vida de muitos jovens que estão nas equipes de trabalho e também por todo o Brasil no preparar-se para suas viagens até o Acre”, disse.
Reunião com as equipes de trabalho (Foto: Larissa Oliveira)
Reunião com as equipes de trabalho (Foto: Larissa Oliveira)
Na oportunidade as coordenações e assessorias também se reuniram com os referenciais locais das equipes de trabalho, no local que sediará o Encontro, a Universidade Federal do Acre (Ufac). Os jovens mostraram toda dedicação e ousadia de quem está fazendo de maneira profética o Encontro Nacional acontecer. E na bagagem daqueles que chegaram como visita, cada um/a levou a esperança de em breve estarem de volta para celebrarem a Festa do Bem Viver em sua nova casa.
Fonte: Pastoral da Juventude Nacional

terça-feira, 31 de outubro de 2017

DNJ 2017: 25 anos de história são celebrados em Santanópolis

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Aconteceu no último domingo (29) o Dia Nacional da Juventude da Arquidiocese de Feira de Santana, com a presença de diversas das identidades juvenis desta Igreja Particular, na Paróquia Senhor do Bonfim, em Santanópolis. A data recordou os 25 anos do próprio DNJ e também da Pastoral da Juventude na Arquidiocese de Feira de Santana.
A programação começou com a oração na entrada da cidade, conduzida por Padre Cláudio (pároco em Santanópolis), Cristiam Machado e equipe local, recordando a temática “Juventudes em defesa da Vida dos Povos e da Mãe Terra”. Em seguida se deu a caminhada, animada pela Banda Som de Vida, pertencente à Paróquia de Santanópolis. Na parada da caminhada, o José Íris, da cidade de Ouriçangas fez a memória dos 25 anos de DNJ e PJ na Arquidiocese. Recordou o Padre Miguel, missionário que iniciou a articulação tanto do evento, como da pastoral.
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Chegando ao espaço do Ginásio de Esportes a Banda Akua Viva recepcionou os jovens com muita animação. Durante todo o evento, especialmente no Ginásio, a Camila Dias e o José Conceição estiveram na condução dos trabalhos, como animadores. Em seguida foi o momento de apresentação do Setor Juventude. Nesse momento, jovens de várias identidades juvenis montaram um quebra cabeça com a logo do Setor Juventude. Momento marcante foi  a entrada da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que ficou durante todo o evento. Para refletir sobre a temática do DNJ 2017 (Juventudes em defesa da Vida dos Povos e da Mãe Terra), foi convidada a Vandalva, que atua no Movimento de Organização Comunitária (MOC) e que já passou pela Pastoral da Juventude e diversas outras organizações eclesiais. Ainda pela manhã, o grupo teatral Renascer fez uma apresentação de acordo com a iluminação bíblica do DNJ: "Os humildes herdarão a Terra". Em seguida, foi celebrada a Santa Missa, com a presidência de Padre João, vigário da Forania 7 (São João), que representou o arcebispo Dom Zanoni. Também estiveram presentes os padres Jonilson (referencial do Setor Juventude), Cláudio, Gerson, João Carlos e o Diácono Tatai. Importante ressaltar a presença dos seminaristas dos Seminários Maior e Menor no DNJ 2017. Durante o evento, também se fizeram presentes muitos outros sacerdotes, religiosos e religiosas, e lideranças leigas de nossa Arquidiocese.
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No período da tarde foi o momento das apresentações das bandas. A Banda Akua Viva, de Feira de Santana começou a animação nesse turno. Em seguida foi realizada uma apresentação de dança com jovens de Santanópolis. Logo após a Banda Manto Azul (da cidade de Conceição do Coité) se apresentou pela primeira vez no DNJ da Arquidiocese de Feira de Santana, e entusiasmou a toda juventude presente. E para fechar esse grande evento, a Liz e sua banda animaram a juventude com músicas pjoteiras entre outras, e ainda cantaram os parabéns para o DNJ e Pastoral da Juventude. Por fim, os padres Jonilson e Cláudio deram a benção final e encerraram o DNJ 2017.
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Com informações de Erik Nascimento, pela coordenação arquidiocesana da PJ